domingo, 11 de maio de 2025
PENSA NOS OUTROS
quarta-feira, 30 de abril de 2025
Ao Deus Dará
É nas situações difíceis que se vê a fibra ou o amadorismo das lideranças. A rádio devia fazer parte da proteção civil, pois foi a rádio a grande comunicadora e esclarecedora durante as 10 horas do apagão. Não foi o governo que nos deu a mão, foram os jornalistas da rádio que se desdobraram por esse país fora para nos informar ao minuto. Centrar tudo numa única pessoa nunca é tão eficaz como delegar tarefas e responsabilidades. No dia 28 de abril, não ouvimos os ministros competentes, nem a polícia, nem os bombeiros. E até hoje nem uma comunicação oficial do Presidente, que tão prontamente se pronunciou sobre a morte do papa na semana passada. Além disso, vimos claramente que o mundo digital é pouco confiável. O que aparece num segundo pode desaparecer num segundo. Vimos a nossa falta de autonomia como país, com tantos recursos naturais subaproveitados e tanta empresa essencial que, de nacional, só tem o nome. Vimos a nossa vulnerabilidade e histeria, mas vimos também a nossa criatividade e descontração face ao imprevisto. Viver ao Deus dará ainda faz parte do nosso ADN.
sábado, 22 de março de 2025
Undine e a Pequena Sereia
"Quando o sangue quente do Príncipe jorrar aos teus pés, voltarás a ter a tua cauda de peixe". A Pequena Sereia de Andersen não foi capaz de matar o seu amor e trocou a sua vida pela dele. Este conto, lido no original, tocou-me muito na infância. Tenho pena que as crianças de hoje só tenham os finais felizes cor-de-rosa da Disney, adulterados, sem a ambivalência que dá beleza e densidade à vida. Ontem vi este filme na RTP2, inspirado no mito de "Ondina", sobre o mesmo amor puro e abnegado de uma mulher que veio da água, como todas nós. Uma história simples, que contém tudo.
DIA MUNDIAL DA POESIA
quarta-feira, 19 de março de 2025
Dias do Meu Pai
Ao meu pai dava desenhos, molas pintadas, colagens, postais... ele ainda fez parte de uma era onde os presentes do dia do pai não eram tão exigentes.
Hoje dou-lhe o meu pensamento.
Ao meu Pai, raiz do meu ser.
sábado, 8 de março de 2025
De onde viemos, o que somos
ANJOS MULHERES – VI
quinta-feira, 4 de janeiro de 2024
Au-delà de
Para lá do óbvio
Para lá da pele
Dos órgãos
Das artérias
Do sangue
Das unhas
Dentes
Ossos
Para lá dos fragmentos
Que somos
Há um filamento
Que sustém
A nossa escassa
existência
1 de Março de 2021
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Immortality
domingo, 14 de setembro de 2014
Nem luxo, nem lixo
domingo, 23 de março de 2014
Sommarlek
O filme não me sai da cabeça. Há muito que um filme não me saía da cabeça... deve ser a diferença entre um filme que se vê e o filme que nos vê. Foi o que aconteceu com "Um verão de amor" de Ingmar Bergman, que se tornou, da noite para um novo dia, um dos filmes da minha vida. Uma história bela, com personagens graciosos, desde a bailarina imaculada, à mulher de negro do bosque. A história, muito comum e simples - dois jovens que descobrem o amor num verão - transforma-se numa viagem à nostalgia e ao interior da dor, do silêncio imenso que nos envolve, da morte que nos acompanha. Como em muitos filmes de Bergman, o esplendor da felicidade só atinge a sua beleza máxima quando o trágico acontece. A tristeza emerge dessas águas de amor dourado, aparentemente calmas, e ouve-se o grito premonitório da coruja. Foi este grito familiar que ressoou nas minhas memórias, transportando-me à época em que (sobre)vivia aos sorrisos do mundo que continuava, ainda que parado em mim.
Tal como a bailarina - tal como demasiados nós - pomos a maquilhagem e entramos em cena. Agimos por um instinto qualquer de preservação da alma, acreditando que "o espectáculo tem de continuar", optando por dormir com as pestanas postiças.
Até que uma noite, na solidão fantasmagórica do teatro, alguém nos surge do outro lado da imagem:"Só quando nos libertamos de todos os muros podemos ver-nos ao espelho."
quinta-feira, 6 de março de 2014
Um poeta
DEDICATORIA
Más allá de donde
aún se esconde la vida, queda
un reino, queda cultivar
como un rey su agonía,
hacer florecer como un reino
la sucia flor de la agonía:
yo que todo lo prostituí, aún puedo
prostituir mi muerte y hacer
de mi cadáver el último poema.
Leopoldo María Panero (16/6/1948 - 5/3/2014)
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Arigato Ozu
Um tempo que pára nestes quadros cheios de delicadeza e singeleza. Uma viagem à nossa história comum, a família, e ao interior de nós próprios, a solidão.
Um gosto intenso, inebriante, que perdura...
até ao abismo da nossa verdade inevitável.
Vale muito a pena viver e saborear: Viagem a Tóquio & O Gosto do Saké
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Anaïs & June & Henry
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
...de viagens
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Dar à luz
(...)
Serve a vida e serás sustido.
(...)
A arte é um processo curativo, como salientou Nietzsche. Mas principalmente para quem a ela se dedica. As pessoas escrevem para se conhecerem e, desta forma, virem talvez a libertar-se do eu. É este o propósito divino da arte.
Hoje li a última página do livro O Big Sur e as Laranjas de Jerónimo Bosch e sei - tenho a certeza - que a minha cura são os livros. Os livros não me transportam apenas para lugares físicos que quero encontrar, a personagens com as quais vivo paixões de papel intensas, como também me levam às intimidades que procuro conhecer. Livros que contêm palavras como estas de Henry Miller, livros que me salvaram de escuridões em mim mesma e fizeram com que eu visse a luz.
Foto: I woke up dreaming
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Os milagres do quotidiano
Ao debatermo-nos com o mistério do acaso, talvez sejamos incapazes de encontrar uma explicação adequada, mas é inegável que nos apercebemos das leis que estão para além do entendimento humano. Quanto mais conscientes nos tornamos, mais entendemos haver uma relação entre a vida correta e a boa sorte. Se aprofundarmos a questão o suficiente, apercebemo-nos que a sorte não é boa nem má, que o que interessa é a forma que lidamos com a (boa ou má) sorte. Costuma dizer-se que "contra má sorte, coração forte". Está implícito neste adágio que não somos igualmente favorecidos ou desfavorecidos pelos deuses.
(...)
Todos os dias somos confrontados com provas das interligações vastas e extremamente complexas entre os acontecimentos que comandam as nossas vidas e as forças que regem o universo. O medo que sentimos de questionarmos e seguirmos os lampejos de compreensão que estas provas criam, deve-se ao facto de podermos vir a saber o que nos acontecerá. A única coisa que temos a certeza desde que nascemos é de que morremos. Mas até isso nos é difícil aceitar, apesar de ser garantido.
in O Big Sur e as Laranjas de Jerónimo Bosch, de Henry Miller
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Deixa-te estar sentado e vê o mundo a passar
A primeira coisa que reparamos quando começamos a examinar algo tão misterioso como a sorte é o facto (e é um facto estupendo) de não haver nem principio nem fim. Tudo está interligado e é uno. Quando juntamos as peças, como num quebra-cabeças, o bom e o mau parecem igualmente o papel da sorte. As ninharias, em particular, assumem uma importância completamente desproporcionada às suas dimensões e peso. Tudo se acerta e num grau que anula as presunções vãs do ego. (... ) Se li as estrelas, não foi para descobrir o que aconteceria amanhã, mas para confirmar o que estava a acontecer agora mesmo.Deixa-te estar sentado e vê o mundo a passar!
Sim, mas como um equilibrista numa corda, não como uma lesma.
in O Big Sur e as Laranjas de Jerónimo Bosch, de Henry Miller
De manhã tive estas palavras inspiradoras como companhia, transformando os meus vinte minutos no metro para a Maia, numa viagem anunciada de cristalizações intemporais.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
A verdade na educação
(...)
- Podemos gritar, ameaçar e castigar- observa ele - mas a verdade é que somos todos únicos, temos uma maneira de ser própria. Não vale a pena dizer "Não faças isto" ou "Não faças aquilo"; é melhor descobrirmos o que o leva a fazer isto e não aquilo. Não podemos forçar as pessoas, especialmente os pequenotes. Só podemos guiá-los. E isso é uma arte!
(...)
Tento transmitir-lhes a ideia de que a ignorância não é pecado. Sugiro até, cuidadosamente, claro, que há perguntas às quais ninguém sabe responder, nem sequer a mamã e Harrydick. Espero desta forma prepará-los para a revelação que certamente terão um dia, de que adquirir conhecimento é como morder um queijo que se torna maior a cada dentada que se dá. Espero também incutir-lhes a ideia que é melhor respondermos nós mesmos a uma pergunta do que pedir a alguém que nos dê a resposta. Mesmo que a nossa resposta esteja errada! Só nos concursos se obtêm as respostas "certas"... mas para que servem?
O abismo entre o conhecimento e a verdade é infinito. Os pais falam muito da verdade, mas raramente se dão ao trabalho de lidar com ela.
in O Big Sur e as Laranjas de Jerónimo Bosch, de Henry Miller
sexta-feira, 24 de maio de 2013
O meu tempo na (em) casa
O meu tempo na (em) casa foi um estender de laços fortes, quebráveis, bordados pelas mãos das irmãs encarceradas em sonhos, para lá das paredes brancas. Foram noites lindas, de ser outras, que ao cair a luz me devolvem àquela que conheço melhor.




