Só o verdadeiro poeta pode dizer o que é o infinito desejo de não ser poeta, o que é o desejo de abandonar esta casa de espelhos, onde reina um silêncio ensurdecedor.
Exilado das regiões do sonho Procuro abrigo na multidão E quero em insultos Transformar o meu canto
Milan Kundera citando Frantisek Halas, in "A Vida não é aqui"
Uma noite domingueira, cujo nome surgiu de um encontro de palavras equivocado entre a famosa cachupa de Cabo Verde e a imaginação naive de uma vadia que, ao sabor do acaso, navegou para outros significados. Assim nasceu esta ideia, este espaço que se pretende que seja aberto à criação, à possibilidade de ir humanamente para além das formalidades conceituais esperadas (ai, que sono...) de uma tradicional noite de poesia. E porque com a chalupa pensamos em comer (mesmo com a palavra do avesso) também haverá sempre uma delícia à fruição - feita pelos vadios, claro! Todos sabemos que o e espírito funciona melhor depois de satisfeitos os prazeres da carne... 1ª Sessão - Hoje, Domingo 17, no Gato Vadio, 22h (Rua do Rosário, 281)
com o tema: O Sonho textos de: José Maria Vieira Mendes, Jean Genet, Anton Tchékhov, Eugene O'Neill, Lucien, Lambert, Arthur Schnitzler, Allen Ginsberg, D.H. Lawrence, Emily Brontë, William Shakespeare, Fernando Pessoa, Vinicius de Morais, Milan Kundera,Teolinda Gersão
e vozes de: Artur Silva, Rita Figueiredo, Virgínia Silva
O amor é uma festa. É uma celebração diária. É a fragilidade nua, o peito aberto. É o cafuné e o ninar com canções ao ouvido, mesmo com a voz de cana rachada. É o conforto do hábitoe o bater do coração da surpresa. É perder-se e (re)encontrar-se, a pele e a alma do avesso. As estrelas só brilham porque a noite é escura. No meio destas reflexões, uma ambivalência cresce dentro de mim. E este belo chorinho, composto pelo grande músico Pixinguinha, traduz essa voz melhor do que eu.
Ausentei-me do mundo político-social por uns dias, vivendo apenas uma existência individual. Enquanto isso, este mundo despedia-se de Augusto Boal, fundador do Teatro do Oprimido. Um ser que admiro, fiel aos seus ideais até à hora em que, simplesmente, deixou de respirar...
Um manto de estrelas no céu iluminava a escuridão de granito da aldeia. O javali, a coruja, o cuco tomavam parte no cântico que acompanhava a madrugada à aurora. De noite as vozes da floresta, de dia o silêncio das pedras dos mosteiros perdidos. Almas profanas e sagradas moraram ali... Quantos Baltazares lá terão deixado pedaços de si e quantas Blimundas terão velado o seu desaparecimento... O meu corpo regressou, dengoso, após longos banhos públicos nas águas quentes e doces do rio. Dizem que quando viajamos o nosso espírito demora mais tempo a voltar... só xegou hoje da Galiza!