segunda-feira, 7 de abril de 2008

SOL&TORTILLA

Finalmente, ontem, no parque da cidade, reunimo-nos para o 1º Piquenique Poético com SOL! Vieram amigos do Rui e da Lisa e os Pé na Terra - jovem e promissor grupo de folk que actuou na Quinta no teatro Pé de Vento. Espero que para os próximos piqueniques a poesia destas tardes se vá extendendo a outras levas de amigos e a outros poemas. Este, que poderia ser enviado a muitos presidentes de muitos países deste mundo, ficou-me, mais do que todos:

Le Deserteur

Monsieur le Président
Je vous fais une lettre
Que vous lirez peut-être
Si vous avez le temps
Je viens de recevoir
Mes papiers militaires
Pour partir à la guerre
Avant mercredi soir
Monsieur le Président
Je ne veux pas la faire
Je ne suis pas sur terre
Pour tuer des pauvres gens
C'est pas pour vous fâcher
Il faut que je vous dise
Ma décision est prise
Je m'en vais déserter

Depuis que je suis né
J'ai vu mourir mon père
J'ai vu partir mes frères
Et pleurer mes enfants
Ma mère a tant souffert
Elle est dedans sa tombe
Et se moque des bombes
Et se moque des vers
Quand j'étais prisonnier
On m'a volé ma femme
On m'a volé mon âme
Et tout mon cher passé
Demain de bon matin
Je fermerai ma porte
Au nez des années mortes
J'irai sur les chemins

Je mendierai ma vie
Sur les routes de France
De Bretagne en Provence
Et je dirai aux gens:
Refusez d'obéir
Refusez de la faire
N'allez pas à la guerre
Refusez de partir
S'il faut donner son sang
Allez donner le vôtre
Vous êtes bon apôtre
Monsieur le Président
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je n'aurai pas d'armes
Et qu'ils pourront tirer


Letra de Boris Vian - Música de Boris Vian e Harold Berg - 1954


sábado, 5 de abril de 2008

Aos meus queridos amigos :) E às pessoas surpreendentes!

Agradeço a todos que contribuíram para, em menos 2 dias, ter superado o número de exemplares necessários para a publicação do livro no qual dois poemas meus estão presentes. Estou muito feliz com o vosso carinho, gentileza e amizade.
Um abraço poético!


quinta-feira, 3 de abril de 2008

Livro Horizonte Noturno

Aconteceu-me algo engraçado. Recebi um email de uma editora de São Paulo à qual concorri num concurso de poesia. Entre muitos autores, fui seleccionada com 2 poemas para fazer parte da publicação de um livro no Brasil. No entanto, para isso tenho de comprar 15 exemplares. Cada exemplar custa 16 Reais (8.60E). Alguém estaria interessado em adquirir um?

Os poemas foram os seguintes:

Clã das cicatrizes

Esta foi pelas palavras
doces da carta
amargas da voz
pela escuridão do roupeiro.

Outra pelas histórias das fadas
não serem de carne e ossos
pelo feijoeiro que nunca cresceu.

Grande
o rasgão do combate
entre o desejo e a fome
a inocência e o humano demais:
rasgão de sangue
que coloria o meu silêncio.

Pela mutilação
das mãos de prata
-mudas e quietas-
guardiãs de uma morte longa

Estas pequenas
muitas, muitas
fortes pela permanência:
dia-a-dia nos meus ouvidos
chicotes dentro de mim.

No final...que magnífico ficou!
Este capote de cicatrizes,
feridas fechadas
e outras em aberto

Presentes, inofensivas
lambidas pela saliva mãe
erguida nas quatro patas.

Rio de Janeiro, Janeiro 2003

A constância

As tuas mãos
firmes
dispostas numa fileira
de pedidos
descomprometidos

E tu,
entreabrindo-te numa raiva

pausada
-distraída –

cobriste de palavras
- apenas palavras -
a página inicial
das tuas memórias

pequenas
- magnânimas -

como a distância
que nos une.
 

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Dancemos juntos!


Esta semana, apareçam para dançar no Teatro da Vilarinha na Circunvalação! São 3 noites de folk que começam amanhã com os Pé na Terra.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Auroras de Carmim

Em outras auroras
eu fazia amor
com as palavras
que deixavas no meu corpo

Todo ele escrito
em lápis de saliva
tua doce caligrafia
de carmim

Eram caracteres
de terras magníficas
em busca do desejo único
sem pontuação

Nessas auroras
a tua poesia
era só de amor

Não tinha política
nem classes esquecidas
nem mágoas
ou sorrisos irónicos

Era de carmim-

Começava pelas cinzas
espalhadas no meu mar
e incendiava
a solidão
dos nossos mundos


Virgínia Silva