Como é que se ensina as crianças a portarem-se bem? (Como deve ser, obviamente). Assim de repente poderá parecer que há apenas uma resposta: ensinar pelo exemplo.
Mas quem já discutiu o tema sabe que este argumento é a última linha de
defesa. A força do exemplo parece ser considerada uma técnica menor na
estratégia da guerra quotidiana. É a resposta de um santo, não a de um
pai cansado que não sabe o que fazer ou a de um professor. A meio de uma
discussão interminável, de certeza que alguém nos diz que os santos não
tinham filhos e que Jesus, que disse: "Deixai vir a mim as criancinhas,
pois deles é o Reino do Céu", talvez tivesse dito outra coisa se
soubesse o que são os chamados problemas domésticos. Por outras
palavras, Jesus não sabia peva do que estava a dizer.
(...)
- Podemos gritar, ameaçar e castigar- observa ele - mas a verdade é que somos todos únicos, temos uma maneira de ser própria. Não vale a pena dizer "Não faças isto" ou "Não faças aquilo"; é melhor descobrirmos o que o leva a fazer isto e não aquilo. Não podemos forçar as pessoas, especialmente os pequenotes. Só podemos guiá-los. E isso é uma arte!
(...)
Tento transmitir-lhes a ideia de que a ignorância não é pecado. Sugiro até, cuidadosamente, claro, que há perguntas às quais ninguém sabe responder, nem sequer a mamã e Harrydick. Espero desta forma prepará-los para a revelação que certamente terão um dia, de que adquirir conhecimento é como morder um queijo que se torna maior a cada dentada que se dá. Espero também incutir-lhes a ideia que é melhor respondermos nós mesmos a uma pergunta do que pedir a alguém que nos dê a resposta. Mesmo que a nossa resposta esteja errada! Só nos concursos se obtêm as respostas "certas"... mas para que servem?
O abismo entre o conhecimento e a verdade é infinito. Os pais falam muito da verdade, mas raramente se dão ao trabalho de lidar com ela.
in O Big Sur e as Laranjas de Jerónimo Bosch, de Henry Miller
quarta-feira, 24 de julho de 2013
sexta-feira, 24 de maio de 2013
O meu tempo na (em) casa
Vivi nesta casa com os meus medos, frustrações, com a minha Angústias. Com ela procurei no meu baú as recordações tatuadas a sangue interior, que pulsou sem encontrar um orifício de saída. Quis identificação, distância, aconchego, solidão. Ambicionei trazer dentro de mim a mágoa de ser mulher, com todas as batalhas ainda não travadas daquela época.
O meu tempo na (em) casa foi um estender de laços fortes, quebráveis, bordados pelas mãos das irmãs encarceradas em sonhos, para lá das paredes brancas. Foram noites lindas, de ser outras, que ao cair a luz me devolvem àquela que conheço melhor.
O meu tempo na (em) casa foi um estender de laços fortes, quebráveis, bordados pelas mãos das irmãs encarceradas em sonhos, para lá das paredes brancas. Foram noites lindas, de ser outras, que ao cair a luz me devolvem àquela que conheço melhor.
terça-feira, 19 de março de 2013
Ao meu pai
sábado, 9 de março de 2013
A casa Alba
Por detrás destas grades, podemos ver a Angústias de namoro tímido e contido com o seu noivo, Pepe Romano, bem como a avidez dos olhares das suas irmãs Martírio, Madalena e Amélia, todas a sofrer o desejo castrado atiçado pela sua figura varonil. E lá está também a Adela, a mais jovem, irreverente e fogosa das mulheres da casa, um espelho invertido da sua mãe, Bernarda Alba, a única força transgressora capaz de a enfrentar. A Adela, consumindo-se no amor que vive com noivo da irmã, rachando o bastão do poder, entrando no canavial por ele.
Uma casa alba, na sua figura de linhas rectas, simétricas, fechadas, onde a pureza reside na limpeza do parecer, que outrora deu impossibilidade ao ser. Lorca, que tanto escreveu sobre este frágil embuste, sobre o viço silencioso das raparigas solteitas da Andaluzia, emparedado por tradições enraizadas na religião e costumes da terra, completa o quadro desta alvura: à frente da casa eleva-se uma jovem árvore solitária, raro legado de vida nestas paragens.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
All Religions are One
The Voice of one crying in the Wilderness
The Argument
As the true method of knowledge is experiment, the true
faculty of knowing must be the faculty which experiences. This faculty I treat
of.
Principle 1ST
That the Poetic Genius is the true Man, and that the body or
outward form of Man is derived from the Poetic Genius. Likewise that the
forms of all things are derived from their Genius, which by the Ancients was
call'd an Angel & Spirit & Demon.
Principle 2ND
As all men are alike in outward form, So (and with the same
infinite variety) all are alike in the Poetic Genius.
Principle 3RD
No man can think, write or speak from his heart, but he must
intend truth. thus all sects of Philosophy are from the Poetic Genius adapted
to the weaknesses of every individual.
Principle 4TH
As none by travelling over known lands can find out the
unknown, So from already acquired knowledge Man could not acquire more;
therefore an universal Poetic genius exists.
Principle 5TH
The Religions of all Nations are derived from each Nation's
different reception of the Poetic Genius, which is every where call'd the Spirit
of Prophecy.
Principle 6TH
The Jewish & Christian Testaments are An original derivation
from the Poetic Genius. This is necessary from the confined nature of bodily
sensation.
Principle 7TH
As all men are alike (tho' infinitely various), So all Religions ,
&, as all similars, have one source.
The true Man is the source, he being the Poetic Genius.by William Blake
terça-feira, 24 de julho de 2012
Las verdaderas revoluciones
Las revoluciones son el final de un proceso de las ideas, no el principio, y es siempre un proceso cultural, nunca político. Cuando interviene la política -o mejor los políticos- no se produce una revolución, sino un golpe de Estado, y el proceso cultural se detiene para dar lugar a un programa político. La cultura entonces se convierte en una rama de la propaganda. Es decir, las ilusiones de la cultura, el sueño de la razón, se transforman en pesadilla.
In Cuerpos Divinos, de Guillermo Cabrera Infante
Subscrever:
Mensagens (Atom)


