quarta-feira, 25 de abril de 2012

"Quis saber quem sou..."

Hoje, no dia da Liberdade em Portugal, quero relembrar os ideais de Abril, utópicos e necessários para uma convivência sã e humana entre os povos.
A imagem ilustra a saída dos presos políticos da prisão de Caxias, um lugar de horror, tortura, opressão, silêncio, mas também de resistência e esperança. Para que não se "semeie a miséria e a ignorância", mas a bonança e a consciência em cada um de nós.

domingo, 22 de abril de 2012

Na barriga da baleia

Ontem à noite revi este filme profundamente criativo, belo, simples, cheio de fotografias que marcaram uma época e várias vidas. São olhares interseptados, que nos premitem recriar conceitos, como a casa de fitas de filmes, os espelhos na praia, a barriga da baleia, o retrato de estranhos à entrada de casa... o artista é aquele ser que relaciona tudo, principalmente o que à partida não é relacionável, nem se toca. É o que estabelece metáforas com tudo e cada coisa, o que tem a liberdade imensa dentro de si, o espírito de preserverança, a atenção ao detalhe e ao todo, mostrando-nos novas visões. Agnés Varda leva-nos pelo braço e vai-se detendo... uma história aqui, uma ideia ali, um sentimento agora, uma evocação depois... é inspiradora!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Flores pela manhã

Mais do que lembrar
nas flores o cheiro do passado,
eu queria ouvir
a voz deste rouxinol
e saber do seu perfume.
(...)

Mais perfumadas,
só porque alguém as olhou
e as foi colher,
assim são aquelas flores -
tão belas e passageiras.

Isumi Shikibu (974? - 1034?)
Foto: I Woke up Dreaming

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Uma feliz descoberta: a poesia de Paulo Pais

IDANHA-A-VELHA

Após todos os vultos as mulheres
ficam sempre arrumando tudo
limpam o pó dos homens
abrem-lhes o caminho de volta
dão destino às coisas
encarreiram a vida

sentam-se rente aos sulcos da terra
prenhes de segredos
regam a paciência com o esperma que lhes cabe
aprendem com os gatos a desprezar em silêncio

velhas cúmplices da vida
tudo aprenderam para lá dos mortos


(de Notas de Campo)

III

Os anjos preocupam-se com a desordem do mundo
pressentem os fungos nos ossos dos que se deitam com frio
a densidade salina das lágrimas
o volume do medo das bestas na hora do abate

por vezes definem com astúcia a tensão do sangue
seguram a mão na pressão exacta controlam a voz com
aptidão exemplar


pai, gosto muito de ti
e a infância escorre pelo rosto da memória
entretidos os homens com os recados da inocência


(de Figuras de Apego)

Pôde ver por momentos na goela da terra o que
a terra faz nas entranhas
viu lá onde tudo se passa o nítido seio da terra
o grande silo do sangue
os rostos lésmicos dos mortos
o rasto factual da morte

esperou que algo de surpreendente acontecesse
talvez um verme gigante numa pápula vegetal
talvez um anjo finalmente vingador
uma luz

súbito a mão de deus cobriu-lhe os olhos ou era
o vidro limpo da rotina dos dias?

uma buzina lembrou-lhe que o mandavam avançar


(de Gravador de Chamadas)

Belo até às lágrimas



"Dancem, dancem... senão estamos perdidos." - Pina Bausch

terça-feira, 17 de maio de 2011

Poesia



A ética é mais forte que o amor.
A morte é mais forte que o amor.
A tristeza é poesia.
A poesia é uma ponte.



Poesia - o filme