sábado, 6 de fevereiro de 2010

INVICTUS

Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

William Ernest Henley

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Magia

"A dor da perda é um lugar que desconhecemos até chegarmos lá." - O Ano do Pensamento Mágico

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

O meu gesto Antígona para 2010

O conhecimento, a auto-consciência é a chave para modificarmos o nosso mundo interior e, qual efeito borboleta, o mundo que nos rodeia. Depois, temos é de AGIR.

Então, um homem disse-lhe:
Fala-nos do conhecimento de si. E ele respondeu:

Os vossos corações conhecem, no silêncio,
os segredos dos dias e das noites.
Mas os vossos ouvidos têm sede de ouvir finalmente
o eco do saber dos vossos corações.
Gostaríeis de saber pelo verbo
o que sempre soubeste pelo pensamento.
Gostaríeis de sentir com os dedos
o corpo nu dos vossos sonhos.

E está certo que assim o queirais.
A fonte oculta da vossa alma deve necessariamente
jorrar e correr a murmurar para o mar;
e o tesouro das vossas profundezas infinitas
revelar-se aos vossos olhos.

Mas que não haja balança
que pese o vosso tesouro desconhecido;
e não procureis explorar os abismos do vosso saber
com a vara ou com a sonda,
pois o eu é um mar sem limites e sem medida.

Não digais: «Encontrei a verdade»,
mas antes: «Encontrei uma verdade.»
Não digais: «Encontrei o caminho da alma.»
Mas antes: «Cruzei-me com a alma que seguia pelo meu caminho.»
Pois a alma percorre todos os caminhos.
A alma não caminha sobre uma linha
nem se alonga como uma vara.

A alma abre-se a si própria
como se abre um lótus de inúmeras pétalas.

Khalil Gibran

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O Ossuário da Família

"(...) era assim, Pedro, tinha corredores confusos a nossa casa, mas era assim que ele queria as coisas, ferir as mãos da família com pedras rústicas, raspar nosso sangue como se raspa uma rocha de calcário, mas alguma vez te ocorreu? alguma vez te passou pela cabeça, um instante que fosse, suspender o tampo do cesto de roupas do banheiro? alguma vez te ocorreu afundar as mãos precárias e trazer com cuidado cada peça ali jogada? era o pedaço de cada um que eu trazia nelas quando afundava as minhas mãos no cesto, ninguém ouviu melhor o grito de cada um, eu te asseguro, as coisas exasperadas da família deitadas no silêncio recatado das peças íntimas ali largadas (...)
Ninguém afundou mais as mãos ali, Pedro, ninguém sentiu mais as manchas de solidão, muitas delas abortadas com a graxa da imaginação, era preciso surpreender nosso ossuário quando a casa ressonava, deixar a cama, incursionar através dos corredores, ouvir em todas as portas as pulsações, os gemidos, e a volúpia mole dos nossos projetos de homícidio, ninguém ouviu melhor cada um em casa, Pedro, ninguém amou mais..."


André, in Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Acredito no impossível

- Por outras palavras, você acredita no impossível.

- Todos nós acreditamos, quer estejamos conscientes disso ou não. As nossas vidas não fariam sentido se não acreditássemos... basta pensar em algo como "Sonho de uma noite de verão": duendes e fadas saltitando pelo bosque, e que ao lançarem pó mágico nos olhos de um homem, ele fica logo apaixonado. É impossível, é verdade, mas isso não significa que não seja real, que não seja fiel à vida. No fim de contas, o amor é magia, não é? Ninguém sabe o que é, ninguém consegue explicá-lo. O pó mágico é uma explicação tão boa como qualquer outra, parece-me.(...)
O facto de uma história ser contada 'realisticamente' não a torna realista. E o facto de se contar uma história de um modo imaginário não a torna rebuscada. Aliás, as metáforas talvez sejam a melhor maneira de alcançar a verdade.

Paul Auster, entrevistado por Rebecca Prime sobre o filme Lulu on the bridge

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Inocência



Mas ele não estava a dizer a verdade?

A meia luz um olhar negro de sol
Entre o outrora do canto dos pássaros
E um prédio violador na época do nada

Por isso o criticaram?

Uma mãe recorrente
acaricia o ventre sem mão
o amanhã em lista de espera

Mas ele não tinha razão?

Dormir sem sonhos
Viver com vozes de partir
Assim a morte passa no cortejo

À minha porta...

Sim. Ele dizia a verdade.
Morreu com ela na boca.

Virgínia Silva